sexta-feira, 14 de maio de 2010

Leveza


Resumo da Proposta de Calvino “Leveza”

Esta primeira conferência será dedicada a oposição da leveza peso, e argumentarei a favor da leveza. Não quer dizer que considero menos validos os argumentos do peso, mas apenas que penso ter mais coisas a dizer sobre a leveza.

Buscava alcançar uma sintonia entre o espetáculo movimentado do mundo, ora dramático ora grotesco, e o ritmo interior picaresco e aventuroso que me leva a escrever.

Às vezes, o mundo inteiro me parecia transformado em pedra: mais ou menos avançado segundo as pessoas e lugares. O único herói capaz de decepar a cabeça da medusa é Perseu, que voa com sandálias aladas; Perseu, que não volta jamais a olhar para a face da górgona, mas apenas para a imagem que se refletia em seu escudo de bronze.

Para decepar a cabeça da medusa sem se deixar petrificar, Perseu, se sustenta sobre o que há de mais leve, as nuvens e o vento.

A relação entre Perseu e a górgona é complexa, não termina com a decapitação do monstro. Do sangue da medusa nasce um cavalo alado chamado Pégaso, o peso da pedra pode reverter em seu contrario; de uma patada, Pégaso, faz jorrar no monte Hélicon a fonte em que as musas irão beber.

Mesmo as sandálias aladas, por sua vez, provinham de um mundo monstruoso: Perseu as havia recebido das irmãs da medusa, as Grais.

Mais inesperado com tudo é o milagre que se segue: em contato com a Medusa, os râmulos aquáticos se transformam em coral( quando perseu apóia a cabeça da medusa nas algas para lavar as mãos depois de derrotar um monstro), e as ninfas para se enfeitarem com ele.

Este paralelo de imagens em que a graça sutil do coral aflora o fero horror da górgona parece-me de tal forma carregado de sugestões que me abstenho de estragá-lo com uma tentativa de interpretação e comentários.

Leveza em três acepções distintas:

1) um despojamento da linguagem por meio do qual os significados são canalizados por um tecido verbal quase imponderável ate assumirem esta mesma rarefeita coincidência.

2) A narração de um raciocínio ou de um processo psicológico no qual interferem elementos sutis e imperceptíveis, ou qualquer descrição que comporte um alto grau de abstração.

3) Uma imagem figurativa de leveza que assuma um valor emblemático, como, na historia de Bocaccio.

A renascença shakespeariana conhece os influxos etéreos que conectam macrocosmo e microcosmo desde o firmamento neoplatônico aos espíritos dos metais que se transformam no crisol dos alquimistas.

A gravidade sem peso reaflora na época de Cavalcante e Shakespeare; é aquela relação particular entre a melancolia e humor, que Klibansky, Panofsky e Saxl estudaram em Saturn and Melancholy.

Assim como a melancolia é a tristeza que se tornou leve, o cômico é a melancolia que perdeu o peso e põe em duvida o eu e o mundo, com toda a rede de relações que os constituem.
Proposta do Grupo
O conceito do trabalho é a observação de como o limiar entre o pesado e o leve é sutil, e como o leve é agradável perto de algo com muito peso e, também, como o leve, apesar da sua incrível leveza, pode sustentar o pesado. Todo o trabalho foi baseado na percepção de cada um em relação ao belo e o feio, então a proposta do grupo era mostrar a leveza do sublime e do grotesco através dos contos. O conto escolhido para poder dar uma estrutura ao tema e aos outros contos foi Alice no País das Maravilhas e os cinco sentidos. Através dos cinco sentidos: Tato seria as comidas e as lembrancinhas, Paladar seria os sabores dos chás e das comidas, Audição as músicas tocadas (traziam para o público a idéia do místico, mas ao mesmo tempo eram músicas leves, que de começo era estranho, era diferente e depois a audição vai acostumando e traz calma, eram músicas que juntavam o Sublime e o Grotesco), Visão seria o vídeo, contendo as entrevistas, imagens e cenas dos contos com a pergunta "O que é belo e feio para você?", cenário trazendo a fantasia para todo o público entrar no encanto da leveza e a mesa, pois era uma cerimônia do chá com toalhas em diferentes cores e texturas e, para terminar o Olfato com os incensos que estavam dispersos pela sala, eram aromas leves, que taziam calma para que todos pudessem ter Tempo e Concentração para decidir o que era belo ou feio para eles. Queríamos também mostrar que tudo depende do ponto de vista de cada um, pois o que pode ser feio para um pode ser belo para outro e que mesmo havendo diferenças de gosto tem que haver o respeito e compreenssão de cada um.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada

um abraço,
jo