sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Na actual era tecnológica, encontram-se disponíveis os meios necessários para apoiar os designers no desenvolvimento de colecções surpreendentes. Mas a tecnologia está também a fomentar o aparecimento de uma nova geração de seguidores que são uma influência para os próprios designers.

Charles Guislain ao centro da foto

Durante décadas, uma via rápida para o mundo da moda exigiria a um designer que pegasse numa moda de rua e a preparasse para a passerelle. Este processo tem assistido ao desenvolvimento de estilos de referência por parte de vários designers, entre os quais se encontram Calvin Klein, Jean Paul Gautier e Marc Jacobs.

charles guislain - detalhe

O conceito é simples, mesmo que a base têxtil não o seja. Uma moda externa é simplesmente adoptada e personalizada pelo designer. Estas modas externas são apoiadas por sítios na Internet – como o lookbook.com – e os bloguistas, que ajudam os seguidores da moda a conseguirem os visuais únicos e desejados, que por sua vez podem servir de inspiração para a passerelle.

Os bloguistas em particular, especialmente os que possuem a projecção de Tavi ou Charles Guislain, influenciam a moda com a sua paixão e dedicação. Estando ligados ao sector desde  idade, os dois bloguistas já experimentaram grandes oportunidades desde que apareceram, pregando aos jovens seguidores da moda.

A Internet deu poder a estes pré-adolescentes para se tornarem mundialmente reconhecidos pelo seu contributo para a própria cultura de moda. Na medida em que o acesso a imitações da passarela tornou-se generalizado, o anterior sistema fechado da alta moda passou a ser quase transparente.

As imagens dos mais recentes desfiles podem ser encontradas on-line, alterando drasticamente a dinâmica de poder, e a acção “por trás das imagens” nos desfiles de moda está a atrair um público cada vez mais jovem, à medida que é transformada em “reality shows” e filmes, como “Project Catwalk” ou “O Diabo Veste Prada”.

Naturalmente, nada disto seria possível sem a Internet. Os jovens estão à vontade com a tecnologia e nos sítios web como lookbook.com, estão a comunicar e a tirar proveito das tendências da alta-moda que os influenciam.

Face a esta realidade, coloca-se a questão: será que os jovens seguidores da moda têm efectivamente um impacto na passerelle, ou será apenas no retalho, à medida que as suas ideias de fast-fashion são lançadas?

Considerando que a maioria dos estilos apresentados nos desfiles não pode ser directamente conseguida no retalho, os seguidores da moda estão simplesmente a torná-los utilizáveis ao recriá-los.

As peças de alta moda são muito difíceis de conseguir, ou demasiado caras para comprar, por isso, vemos aparecer uma variação de estilo de rua – o que é completamente inovador, na medida em que os seguidores da moda quase criam um estilo próprio.

Aqui encontra-se o cruzamento da moda influenciada pela passerelle, com a passerelle influenciada pela rua. Esta mudança dramática significa que a estrutura do sector vai passar do tradicional para novas tendências mais rapidamente, as quais podem ser facilmente recriadas para moda de rua.

Os designers uniram-se às marcas para legitimar esta fuga de estilos e manter a estrutura do sector. Por exemplo, o designer Jimmy Choo colaborou com o gigante do retalho H&M para produzir uma pequena colecção de carteiras, sapatos e vestidos.

A muito antecipada colecção foi lançada em 2009 e ajudou a trazer a passerelle para a rua, mantendo o cunho do designer, mas tornando as roupas acessíveis aos seguidores da moda inspirados pela passerelle.

Fonte: http://www.portugaltextil.com/

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