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editorial executado por juliana blanc inspirado em Pina Baush
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Pina Bausch morreu, esta quarta-feira, no hospital, em Wuppertal, na Alemanha. A coreógrafa alemã foi vítima de um cancro fulminante, que lhe foi diagnosticado na sexta-feira passada. Completaria 69 anos no próximo dia 27.
"Pina Bausch está para a dança como Michael Jackson está para a pop", resumiu o coreógrafo João Fiadeiro. Dizem que os domingos são, historicamente, dias trágicos; o último marcou a derradeira vez que Pina Bausch subiu ao palco.
Quando era pequena, gostava de ficar sentada debaixo de uma mesa a observar os clientes do restaurante dos seus pais. Mais tarde, esta capacidade de observação tornou-se fulcral no seu trabalho.
O seu processo de criação era inovador. Expunha os seus bailarinos a diferentes situações, fazendo-os reagir; dessa recolha de sensações, retirava o que considerava mais importante e trabalhava-as. No decurso do processo, montava cenários e figurinos, partindo sempre do nada, dando total liberdade criativa aos seus intérpretes, que apenas respondiam aos estímulos por ela instigados.
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Pina Bausch
Muitas das temáticas baseavam-se em viagens, das quais acabava por fazer uma espécie de diários coreográficos. Como, por exemplo: "Palermo Palermo", dedicada à capital siciliana; "Tanzabend II", inspirado em Madrid; "Jogos de luto", em Viena; "O lavador de janelas", em Hong Kong; "Wiesenland", em Budapeste; "Mazurca de fogo", em Lisboa (ver caixa), ou "Água", inspirada no Brasil.
Algumas das assinaturas coreográficas de Bausch, além do casamento da dança com o teatro, são as disposições em diagonal, as repetições enfatizadas e a criação de momentos altos com avanços e recuos na dramaturgia, criando contradições cénicas e o uso de várias acções em simultâneo.
Actualmente, são várias as gerações de coreógrafos, actores, cenógrafos e figurinistas inspirados nas transgressões de Pina Bausch.
A queviria a tornar-se na senhora dança -teatro começou a estudar com 14 anos, na Folkwang School, em Essen, com outro marco da história, o coreógrafo expressionista Kurt Jooss.
Quando terminou os estudos, foi a primeira bailarina alemã com bolsa para estudar na prestigiada Julliard School, em Nova Iorque, Estados Unidos. Esta época torna-se emblemática no seu processo criativo, pois desenvolve uma paixão pela ópera, na Metropolitan, de onde saem peças de reportório internacional, como "Orfeu e Eurídice", que será apresentada por Marie Chouinard no Teatro Carlos Alberto, no Porto, na próxima semana, ou "A sagração da Primavera".
Em 1962, regressou à Alemanha, para ingressar na companhia Folkwang Ballett, onde trabalhou como bailarina e, mais tarde, como directora.
Em 1973, foi convidada para a Wuppertal Tanztheater, companhia que dirigiu até morrer. Mas se, actualmente, esgotava salas por todo o Mundo, o início não foi nada pacífico.
Por utilizar linguagens então muito distantes do mundo da dança e esticar constantemente os limites ao introduzir canto, teatro e performance nas suas produções, teve vários entraves. Nas primeiras produções, foi muitas vezes insultada e o público abandonou a sala por não considerar o seu trabalho válido. Sobretudo, porque a sua companhia era estatal.
Mas, em 1976, há uma reviravolta, com uma montagem da obra "Sete pecados capitais", de Berthold Brecht/Kurt Weil, que lhe dá o Prémio Europeu de Teatro, o Praemium Imperiale japonês, a Cruz de Mérito do Governo alemão e a condecoração da Legião de Honra, entre outros galardões.
A fama cresceu até para o grande ecrã, onde podemos vê-la com "Café Muller", no filme de Pedro Almodovar, e com "Viktor", em Federico Fellini.
A última vez que Pina Bausch se apresentou em Portugal foi em Maio do ano passado, onde ainda dançou "Café Muller", que esgotou em tempo recorde.
Estava prevista a actuação da companhia no festival de Spoleto, amanhã, com a apresentação da coreografia "Bamboo", uma das últimas da coreógrafa.
Estava também a preparar o regresso a Portugal, em 2011.
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jo